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O MÉTODO DA EXAUSTÃO E APLICAÇÕES

5. VOLUME DA PIRÂMIDE

Roberto Ribeiro Paterlini e Elivan de Azevedo



Usando o fato de que o volume de um prisma qualquer é igual à área de sua base multiplicada pela sua altura, o Método da Exaustão nos permite mostrar que o volume de uma pirâmide qualquer é igual à terça parte do produto da área de sua base pela sua altura.

Começaremos com um resultado de Euclides, segundo o qual uma pirâmide triangular pode ser preenchida com prismas, exceto uma pequena porção, cujo volume pode ser tão pequeno quanto se queira. Indicaremos por o volume de um poliedro qualquer.

Consideremos uma pirâmide triangular com base .

.
Figura 5.1
Tomamos os pontos médios das arestas de , a saber, , , , , e , de acordo com a figura acima. Note que as pirâmides menores

são semelhantes a e são congruentes entre si. Consideremos os prismas

Notemos que é congruente a e este por sua vez está contido em . De modo análogo é congruente a e este por sua vez está contido em . Portanto

Sejam e . Temos . Portanto

Sejam e . Temos

Terminamos assim a primeira etapa da decomposição de . Começando a segunda etapa, repetimos o processo para as pirâmides e . Cada uma delas fica decomposta em duas pirâmides menores congruentes e em dois prismas :

e

valendo novamente para . Seja

isto é, é a união de todos os prismas obtidos na primeira e na segunda etapas da decomposição de . Temos

Daí

Seja . Temos

E assim sucessivamente fazemos a terceira etapa, a quarta, etc. Seja a união de todos os prismas obtidos até a -ésima etapa, inclusive. Assim é a união de todos os prismas obtidos da primeira à -ésima decomposição. Seja . Temos

Lema 5.1 Com as notações acima, dado , existe um inteiro positivo tal que

Demonstração. Este resultado é conseqüência do Princípio de Eudoxo (Teorema 1.1).

Lema 5.2 Com as notações acima, sejam a altura de e a área de sua base. Então

Demonstração. Notemos que é a metade do volume do prisma de base e altura . Como , vem

Por outro lado, tem altura e base , com . Portanto

Em conseqüência,

Passamos agora ao cálculo de . Notemos que para e se tem

e para e se tem

Portanto

E assim sucessivamente, na -ésima etapa, é a união de e de prismas. O volume de cada um desses prismas é

Portanto

Teorema 5.3 Dadas duas pirâmides triangulares de mesma altura, a razão de seus volumes está na razão direta das áreas de suas bases.

Em outros termos, sejam e os volumes das pirâmides, e e as áreas de suas respectivas bases. Então

Demonstração. Usaremos dupla redução ao absurdo. Ocorre uma e somente uma das seguintes condições:

Suponhamos que seja verdadeira a condição . Seja . Temos . Seja . Apliquemos à segunda pirâmide a decomposição descrita acima. Em virtude do Lema 5.1 existe um inteiro positivo tal que na -ésima etapa da decomposição se obtem uma união de prismas tal que . Daí .

Fazemos agora a decomposição análoga à primeira pirâmide, e seja a união de prismas da -ésima etapa da decomposição. Em virtude do Lema 5.2 temos

Portanto

Mas isso é uma contradição, e concluímos que não vale .

Supondo que seja verdadeira a condição , repetimos o argumento acima, mas com os papéis de e trocados. Concluímos que também não vale .

Assim chegamos à conclusão de que vale .

Escólio 5.4 Duas pirâmides triangulares com mesma altura e com bases de mesma área têm o mesmo volume.

Teorema 5.5 O volume de uma pirâmide qualquer é igual a um terço do produto da área de sua base pela sua altura.

Em outros termos, sejam a altura da pirâmide e a área de sua base. Então o volume da pirâmide é

Demonstração. Suponhamos inicialmente que a pirâmide seja triangular. Consideremos um prisma cuja base seja congruente à base da pirâmide e com mesma altura . O prisma pode ser decomposto em três pirâmides triangulares. Usando o Teorema 5.3 provamos que essas três pirâmides têm o mesmo volume. Como o volume do prisma é , segue que o volume de uma pirâmide triangular qualquer é .
.
Figura 5.2

Suponhamos agora que a base da pirâmide seja uma região poligonal qualquer. Decompomos essa região em regiões triangulares, e assim a pirâmide fica decomposta em pirâmides triangulares de mesma altura. Aplicamos o resultado anterior, somando os volumes de todas as pirâmides triangulares.

Referência: EDWARDS, C. H., The Historical Development of the Calculus. New York, Springer-Verlag, 1979.




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Este trabalho é uma adaptação da monografia de graduação de Elivan de Azevedo, estudante do Curso de Matemática Noturno da UFSCar, sob a orientação de Roberto Ribeiro Paterlini, Departamento de Matemática da UFSCar.
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Publicado em 11/03/2004. Atualizado em 11/03/2004.